08/04/2023

Conservação x Racionamento de energia – Parte II

A energia relacionada à agua é uma das mais caras (e precisosas) devendo ser preservada de forma racional.  Apesar da abundância hídrica […]

A energia relacionada à agua é uma das mais caras (e precisosas) devendo ser preservada de forma racional.  Apesar da abundância hídrica do Brasil, é difícil usá-la racionalmente em edifícios. Todos os edifícios residenciais e comerciais deveriam ter um pré-tratamento dos esgotos.

Usar sistema de refrigeração a ar, eliminando os sistemas de torres de resfriamento a água. Captar água de chuva para descarga sanitária. A energia humana, talvez a menos pensada de todas, é a mais valiosa. Quantos edifícios são desenhados e ocupados por pessoas despreocupadas com o desempenho do trabalho?

Ou seja, as pessoas acabam consumindo grande parte de sua energia física para superar as falhas das instalações físicas onde trabalham. Entre elas podemos citar:  barulho, falta de acústica, excesso ou falta de iluminação, reflexo dos computadores, ar condicionado muito frio ou muito quente, cadeiras e móveis pouco ergonômicos, cores e layouts que distraem a atenção. Destaca-se também que a falta de logística não permite a interação de pessoas e equipamentos, integrando rápida e eficazmente os departamentos.

Enfim, cuidados especiais com o ser humano, no sentido de permitir que ele, em seu ambiente de trabalho, possa conservar sua própria energia em vez de somente descarregá-las durante as jornadas no ambiente corporativo.

A energia elétrica, na verdade, é a mais fácil de ser mensurada – sua utilização e custo atinge diretamente o trabalho e o bolso. Muitas medidas (para o uso racional de energia) tem a ver com vários processos do desenho da arquitetura. Já é meio caminho andado se a arquitetura for pensada para a conservação de energia desde os projetos iniciais.

As principais áreas de estudo são:

·         Fachadas – Uma das áreas mais críticas no consumo de energia. Como não há inverno no Brasil, não há revestimento térmico nas fachadas. Muitos prédios usam tijolos e concreto em que a radiação penetra no edifício, o ar condicionado refrigera o ambiente.  Sem isolamento térmico nas fachadas, o custo do desperdício está na faixa de 15% do consumo de energia. Na China, o governo financia o revestimento térmico em casas e edifícios, diminuindo sensivelmente os gastos com calefação e refrigeração. Um bom material de isolamento – muito importante na arquitetura – é o vidro com bom poder de sombreamento. Os caixilhos diminuem o consumo de ar condicionado, que corresponde a outros 10% no consumo de energia nos edifícios. 

·         Ar condicionado – talvez seja um dos grandes vilões dos gastos com energia. Os edifícios, contudo, não podem funcionar sem controle do microclima interno. Os escritórios modernos são uma somatória de equipamentos e pessoas, e tudo que gere calor deve ser combatido. Como a ventilação natural é praticamente impossível, pois o ar externo da cidade é mais poluído e sujo que o interno, temos desenhado vários prédios com ar condicionado pelo piso, de instalação mais barata e muito mais flexível para o usuário. O ar condicionado pelo piso proporciona economia de 25% no consumo de energia. Os sistemas VAV, Chilers com refrigeração a ar, entalpia, tanques de inércia térmica de gelo, água ou a própria estrutura do prédio podem gerar mais um delta de 10% na economia de energia.   

·         Iluminação – um dos fatores de maior desperdício de energia. Os prédios estão desenhados para serem ligados pela manhã e, teoricamente, não são desligados à noite para limpeza. Muitas vezes ficam acesos o fim de semana inteiro. Por imposição legal, todos os edifícios são obrigados a ter 500 lux por m2, obrigando-os a ter uma carga de iluminação desnecessária durante todo o dia em áreas periféricas do prédio. O excesso de luz é prejudicial para quem usa o computador por muito tempo.

O conjunto de luminárias, lâmpadas, refletores e reatores eletrônicos evoluíram muito nos últimos anos. As luminárias, hoje, são muito mais eficientes que no passado. Os sensores de presença, à base de infra-vermelho e ultrassom que ligam ou desligam a luz na presença das pessoas, sensores de sensibilidade que dimerizam as luzes aproveitando a luminosidade externa são medidas simples que, associadas ao sistema de gerenciamento de energia central, possibilitam o uso de energia para a iluminação e evitam prejuízos. 

Os elevadores, a co-geração de energia, o gerenciamento de equipamentos como bombas, motores e outros, são itens tratados de forma consciente. Desta forma, os prédios modernos, com uma quantidade enorme de equipamentos, podem gastar menos que os prédios menos eficientes (não necessariamente mais velhos).