17 anos entregando projetos para multinacionais. Isso é o que aprendi. E o que ainda estou aprendendo.

28/04/2026

Por Cauí Torres, fundador da Easy


Tem uma cena que se repete.

O cliente chega com um layout preliminar, um prazo impossível e a pressão de entregar o escritório antigo antes de fechar o novo contrato. Ele não tem tempo para seguir o processo padrão. E é exatamente nesse momento que a escolha do modelo de construção define se o projeto acontece ou se vira um problema.

Aprendi isso na prática. Entregando projetos para J&T, Mattel, DHL, Mercedes, NielseniQ e outros clientes que não aparecem nessa lista.

Dois modelos. Cada um no lugar certo.

No processo tradicional DBB, projeto, cotação e obra são contratados separadamente. O cliente contrata uma gerenciadora, faz uma concorrência de projeto, escolhe a arquitetura, faz outra concorrência de construtora e então começa a obra. É um modelo sólido, testado, que funciona muito bem quando existe estrutura interna para gerenciar múltiplos interlocutores e, principalmente, quando existe prazo.

A Easy executa esse modelo. E recomendamos ele quando faz sentido.

Mas boa parte dos nossos clientes chega numa situação diferente: contrato de locação vencendo, lançamento de produto que não espera, reestruturação com data marcada. Para esses casos, a contratação separada de projeto e obra não costuma ser a melhor escolha. Não porque seja inferior, mas porque foi pensada para quem tem tempo. E tempo é exatamente o que está faltando.

O que o D&B resolve e o que aprendemos fazendo

Design & Build não é só unir projeto e obra sob um mesmo contrato. Essa parte é relativamente simples.

O que muda de verdade é quem fica no meio do caminho.

No modelo D&B da Easy, o cliente fala com uma pessoa. Uma. Não fala com a arquitetura separadamente, não fala com a construtora separadamente. Fala com a Easy, e a Easy resolve com todos os outros.

Para uma empresa com operação enxuta no Brasil, sem equipe dedicada de infraestrutura, isso não é conveniência. É a diferença entre um projeto que acontece e um projeto que trava.

Três coisas que a prática me ensinou

Primeiro: a escolha do parceiro de arquitetura é estratégica, não estética.

A Easy não tem arquitetura interna por escolha. Nenhuma empresa consegue ter uma estrutura interna que atenda todos os perfis de cliente. Construímos uma rede de parceiros de arquitetura corporativa ao longo dos anos e para cada projeto avaliamos qual perfil serve melhor àquele cliente específico. Chamamos isso de curadoria. É diferente de terceirização.

Segundo: PMO interno não é burocracia. É o que faz o prazo acontecer.

Planejamento de obra é o meio de campo que ninguém quer pagar, até o projeto atrasar. Quando você tem uma estrutura de planejamento interno dentro da construtora, você elimina o jogo de empurra entre as partes. O problema aparece antes de virar crise.

Terceiro: saber quando não usar o D&B é tão importante quanto saber quando usar.

Empresas com estrutura robusta de infraestrutura, equipe dedicada e prazo confortável muitas vezes são melhor atendidas pelo modelo tradicional. Nosso papel não é vender um modelo. É entender a necessidade do cliente e orientá-lo para a escolha certa, mesmo que essa escolha seja um caminho que nos dê mais trabalho.

É o que a prática continua me ensinando, muitas vezes da forma mais difícil.

Não está nos manuais. Está no canteiro de obra quando o prazo aperta, o cliente precisa de uma resposta e a gente precisa estar à altura do momento.

17 anos me ensinaram a fazer a pergunta certa antes de qualquer proposta. Se você está planejando uma expansão ou mudança de escritório, começa por aí. Me conta o cenário que vou te dizer diretamente qual modelo faz mais sentido para o seu caso.

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